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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Shelby e McLaren batem recordes entre carros clássicos em leilão

Vendidos por US$ 42,9 milhões e US$ 34,6 milhões na Monterey Car Week, os modelos se tornam os carros americano e britânico mais caros já leiloados.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Um Shelby Cobra Daytona Coupe azul e um McLaren F1 GTR expostos em um evento de carros clássicos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Um Shelby Cobra Daytona Coupe azul e um McLaren F1 GTR expostos em um evento de carros clássicos.
Resumo em 30 segundos

O Shelby Cobra Daytona Coupe de 1964 e o McLaren F1 GTR de 1996 estabeleceram recordes de preço em leilões da Monterey Car Week, na Califórnia. O Shelby foi vendido por US$ 42,9 milhões e tornou-se o carro americano mais caro já leiloado; o McLaren alcançou US$ 34,6 milhões e lidera entre os britânicos. A lista dos clássicos mais caros continua dominada por modelos italianos.

Dois carros estabeleceram novos recordes de preço em leilões durante a Monterey Car Week, realizada entre 7 e 16 de agosto, na Califórnia, nos Estados Unidos. O Shelby Cobra Daytona Coupe de 1964 foi vendido por US$ 42,9 milhões, enquanto o McLaren F1 GTR de 1996 alcançou US$ 34,6 milhões. Com os resultados, os modelos entraram para a lista dos carros clássicos mais caros já leiloados.

O Shelby foi arrematado pela Gooding Christie’s por US$ 42,905 milhões, o equivalente a R$ 223,3 milhões. O valor tornou o modelo o automóvel americano mais caro da história. O McLaren foi vendido por US$ 34,655 milhões, cerca de R$ 180,1 milhões, pela RM Sotheby’s e passou a ser o carro britânico mais valioso.

Os novos recordes tiraram do ranking um Mercedes-Benz W 196 R de 1954, vendido por US$ 29,6 milhões, e uma Ferrari 412P Berlinetta de 1967, negociada por US$ 30,2 milhões em 2023. Mesmo com a entrada do Shelby e do McLaren, a Itália continua predominante entre os dez carros da lista, com seis Ferraris. A Alemanha aparece com dois Mercedes; Estados Unidos e Reino Unido têm um modelo cada.

No topo permanece o Mercedes-Benz 300 SLR Uhlenhaut Coupé de 1955, vendido por US$ 142 milhões em 2022. O modelo foi baseado no W 196 R, carro de corrida que conquistou dois campeonatos mundiais com Juan Manuel Fangio. O 300 SLR era um dos dois exemplares existentes e foi usado pelo engenheiro Rudolf Uhlenhaut, responsável pelo projeto. Apesar da relação com um carro de competição, nunca correu em pista; mudou de proprietário dentro do museu da Mercedes, em Stuttgart.

O segundo lugar é de outro Mercedes da mesma família: o W 196 R Stromlinienwagen de 1954, leiloado por US$ 53,9 milhões em 2025. A carroceria aerodinâmica foi construída com Elektron, uma liga de magnésio mais leve que o alumínio, para compensar o peso adicional do formato. Segundo a casa de leilões, dos 14 chassis do W 196 R, quatro receberam essa carroceria. O exemplar vendido, número 00009/54, venceu o Grande Prêmio da Argentina de 1955 com Fangio e encerrou sua trajetória nas pistas em Monza, no mesmo ano, conduzido por Stirling Moss.

Entre as Ferraris, a mais cara é a 330 LM/250 GTO de 1962, vendida por US$ 51,7 milhões em 2023. O chassi 3765 foi o único da linhagem GTO a competir pela própria equipe da Ferrari, a Scuderia Ferrari. Mike Parkes e Lorenzo Bandini o pilotaram nas 24 Horas de Le Mans de 1962; no mesmo ano, o carro venceu sua categoria e ficou em segundo lugar nos 1.000 quilômetros de Nürburgring.

Outra Ferrari 250 GTO de 1962, vendida por US$ 48,4 milhões em 2018, soma 16 vitórias, entre elas duas edições da Targa Florio. Em 2026, uma unidade branca, conhecida como “Bianco Speciale”, foi arrematada por US$ 38,5 milhões pela Mecum. O carro foi entregue ao piloto e proprietário de equipe britânico John Coombs e emprestado ao departamento de competições da Jaguar para testes. Em agosto de 1962, terminou em segundo lugar no RAC Tourist Trophy, com Graham Hill ao volante.

A lista também inclui uma 250 GTO Berlinetta de 1962, vendida por US$ 38,115 milhões em 2014, e a 250 LM de 1964, negociada por US$ 36,3 milhões em 2025. Esta última venceu as 24 Horas de Le Mans de 1965 com Masten Gregory e Jochen Rindt, pela North American Racing Team. Foi a última vitória da Ferrari na prova antes de quatro triunfos consecutivos da Ford. O carro vencedor permaneceu por 54 anos no Indianapolis Motor Speedway Museum.

O Shelby que bateu o recorde americano é um dos seis Daytona Coupe construídos para competir contra a Ferrari 250 GTO. O chassi CSX2300 estreou no Tour de France Automobile de 1964 e correu no Japão até 1968, mesmo depois do fim do programa de fábrica da Shelby American. Também foi o carro pessoal de Carroll Shelby, piloto e criador da marca, entre 1975 e 1998.

Já o McLaren F1 GTR vendido na Califórnia é o chassi 10R, primeiro exemplar construído conforme as especificações do modelo de 1996 e um de apenas dois protótipos de fábrica com carroceria curta, chamada “short tail”. O outro, chassi 01R, venceu Le Mans em 1995. O 10R foi mantido pela McLaren, testado para a corrida de 1996 e depois adaptado pela fabricante para uso nas ruas. Nick Mason, baterista do Pink Floyd, comprou-o diretamente da empresa em 1999.

O McLaren F1 foi apresentado em 1992 e projetado por Gordon Murray. Seu motor BMW V12 de 6,1 litros tinha 627 cavalos, e o modelo podia atingir 391 km/h. Das 106 unidades produzidas, 64 eram destinadas às ruas e 28 foram construídas na versão GTR, para competição. A Monterey Car Week reúne eventos ligados a carros colecionáveis e inclui leilões, nos quais veículos raros são negociados por valores que refletem sua história, sua procedência e sua trajetória esportiva.

Para entender

Monterey Car Week
Encontro anual na Califórnia que reúne eventos ligados a carros colecionáveis. A programação inclui exposições, atividades automobilísticas e leilões de veículos raros, cujos valores podem refletir a história, a procedência e o desempenho dos modelos.

Fontes: Estadão

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