Senadores dos EUA pedem revogação de acordo sobre diesel russo
Doze parlamentares afirmam que a venda pode financiar a guerra contra a Ucrânia; comissário da União Europeia também questiona o efeito sobre os preços.
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Seis senadores republicanos e seis democratas pediram que Donald Trump revogue o acordo para liberar diesel russo nos mercados. Eles dizem que a medida pode financiar a guerra contra a Ucrânia e contraria a lei americana. O comissário de Economia da União Europeia duvida que os volumes negociados reduzam os preços.
O acordo anunciado por Donald Trump para que a Rússia venda diesel nos mercados internacionais provocou, nesta terça-feira, 13 de outubro, pedidos de revogação de senadores americanos e dúvidas sobre o efeito da medida nos preços. O presidente dos Estados Unidos afirmou na sexta-feira que Vladimir Putin concordou em liberar grandes volumes do combustível, mas parlamentares dizem que a negociação pode beneficiar Moscou sem reduzir os custos para consumidores americanos.
Seis senadores republicanos e seis democratas assinaram uma carta pedindo que Trump desfaça o acordo. Eles o classificaram como um “presente para nosso adversário” e uma traição aos aliados dos Estados Unidos. Na avaliação dos parlamentares, a venda de diesel pode gerar recursos para financiar a guerra da Rússia contra a Ucrânia.
A carta foi assinada pelos republicanos Mitch McConnell, Thom Tillis, Susan Collins, Alan Armstrong, Lisa Murkowski e John Cornyn, além dos democratas Richard Blumenthal, Jeanne Shaheen, Richard Durbin, Sheldon Whitehouse, Jack Reed e Chris Coons. Collins, Murkowski e Tillis já haviam pedido, com democratas, que o presidente mudasse de posição. Os senadores afirmam que a medida contraria a lei que proíbe a importação de energia russa até que Moscou encerre a guerra contra a Ucrânia.
Segundo o anúncio de Trump, a Rússia enviaria imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel para atender os mercados americano e global. O cronograma prevê outras 500 mil toneladas em novembro e, depois, um milhão de toneladas. A negociação também menciona a possibilidade de mais três milhões, condicionada a uma avaliação técnica da capacidade das refinarias russas.
O comissário de Economia da União Europeia, Valdis Dombrovskis, disse nesta terça-feira que duvida que esses volumes alterem os preços. Ele afirmou que as quantidades não têm peso macroeconômico e questionou se a Rússia conseguiria fornecê-las. Dombrovskis também levantou dúvidas sobre a compatibilidade do combustível com os padrões de qualidade dos Estados Unidos.
O objetivo anunciado por Trump é ampliar a oferta e reduzir os preços de combustíveis para agricultores e caminhoneiros antes das eleições legislativas americanas, marcadas para 3 de novembro. O valor do diesel, porém, depende de fatores mais amplos do mercado internacional; a liberação de novos volumes, por si só, não garante queda nas bombas.
A iniciativa também contrasta com medidas anteriores do governo. No ano passado, Trump impôs tarifas à Índia para pressioná-la a deixar de comprar petróleo russo, e, há um mês, sancionou uma lei que prevê tarifas de até 100% contra países que compram energia de Moscou. O Congresso americano proibiu importações de energia russa em 2022, após a invasão da Ucrânia.