Metrô de São Paulo escolhe Brio para projetos em três terminais
Os empreendimentos podem incluir moradias ou centros comerciais, mas ainda não foram definidos; a proposta prevê fundo imobiliário e obras sem interromper o transporte.
Resumo em 30 segundos
O Metrô de São Paulo escolheu a Brio Investimentos para desenvolver projetos imobiliários nos terminais Vila Madalena, Vila Mariana e Belém Norte. Os empreendimentos ainda não foram definidos e dependerão da aprovação da companhia. A operação será estruturada por meio de um fundo imobiliário, sem aporte financeiro do Metrô.
O Metrô de São Paulo escolheu a Brio Investimentos para desenvolver projetos imobiliários nos terminais integrados às estações Vila Madalena, Vila Mariana e Belém. A seleção foi feita no fim do mês passado, e a empresa poderá explorar o espaço aéreo dos três locais, desde que as obras não prejudiquem o funcionamento das estações.
O edital, publicado em março deste ano, não determina que tipo de empreendimento será construído. Entre as possibilidades estão edifícios residenciais, shopping centers ou outros negócios imobiliários, mas cada projeto dependerá da aprovação do Metrô. A Brio não informou quais propostas pretende apresentar.
A empresa ficará encarregada de elaborar os estudos de viabilidade, regularizar os projetos, organizar o financiamento, obter licenças prévias e contratar incorporadoras e construtoras. O Metrô, por sua vez, disponibilizará os imóveis, sem colocar recursos financeiros na operação.
O modelo prevê a criação de um fundo imobiliário do qual o Metrô será cotista. Como participante do fundo, a companhia poderá receber dividendos e se beneficiar da valorização das cotas. O retorno financeiro ainda não pode ser estimado, pois dependerá do tipo de empreendimento e dos recursos investidos nos terrenos.
Os três terminais somam 17,4 mil metros quadrados e recebem, juntos, mais de 207 mil passageiros por dia útil. O terminal Vila Madalena, ligado à Linha 2-Verde, tem 3.784 metros quadrados e atende cerca de 42 mil pessoas por dia. Na estação Vila Mariana, da Linha 1-Azul, são 8.276 metros quadrados e aproximadamente 105 mil passageiros diários. O terminal Belém Norte, integrado à Linha 3-Vermelha, ocupa 5.366 metros quadrados e recebe cerca de 60 mil pessoas por dia.
As construções deverão preservar a operação do transporte e ser concluídas em até cinco anos após o início das obras. Se o projeto não avançar, houver inadimplência grave ou os trabalhos forem interrompidos, o Metrô poderá liquidar o fundo e reassumir diretamente a titularidade dos imóveis.
A escolha da proposta considerou o retorno econômico, o nível de risco, a capacidade financeira da empresa e sua experiência no setor imobiliário. Em setembro, Patricia Truzzi, chefe do departamento de novos negócios do Metrô, afirmou que a companhia busca ampliar receitas além das tarifas. “A gente paga as contas da empresa com o valor das tarifas pagas pelos passageiros transportados, mas, também, com a receita não tarifária. Ao gerar novos negócios, contribuímos para o equilíbrio financeiro da companhia”, disse durante a 23ª Convenção Secovi-SP.
Durante a pandemia, a venda de terrenos gerou cerca de R$ 1 bilhão para o Metrô, segundo Truzzi. Depois do período emergencial, a estratégia passou a priorizar receitas recorrentes e a participação em empreendimentos. A companhia também obtém recursos com espaços comerciais nas estações, telecomunicações, publicidade e direitos de nome.
O uso imobiliário de áreas do Metrô já ocorre em cinco shoppings instalados em terrenos cedidos pela empresa, entre eles os empreendimentos ligados às estações Tatuapé, Santa Cruz e Tucuruvi. Truzzi disse que, dos 13 terminais urbanos administrados pelo Metrô, sete têm potencial para receber construções no modelo de aluguel.