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Sábado, 10 de outubro de 2026

Irã executa Alireza Sepahi após casamento por telefone na prisão

O manifestante de 25 anos foi enforcado em 5 de outubro, após condenação ligada aos protestos no país; a noiva também está detida.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Telefone sobre uma mesa diante de uma porta de cela em um corredor prisional vazio. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Telefone sobre uma mesa diante de uma porta de cela em um corredor prisional vazio.
Resumo em 30 segundos

Alireza Sepahi foi executado por enforcamento em 5 de outubro, na prisão de Isfahã, após ser condenado por participação em um protesto no Irã. Horas antes, casou-se por telefone com Mahshad Kashani, também detida. Organizações de direitos humanos apontaram falhas no julgamento e contestaram provas usadas contra ele.

Alireza Sepahi, de 25 anos, foi enforcado em 5 de outubro na prisão de Isfahã, no centro do Irã, após ser condenado por participação nos protestos ocorridos no país no começo do ano. Horas antes da execução, ele se casou por telefone com a noiva, Mahshad Kashani, de 22 anos, também detida por participar das manifestações.

Sepahi foi condenado junto com Alireza Raissi, de 21 anos. Segundo a agência Mizan, ligada ao Poder Judiciário iraniano, os dois integravam um grupo armado e colocaram em risco a segurança nacional ao participar de um protesto na Praça Alikhani, em 8 de janeiro. As autoridades afirmaram que quatro policiais morreram durante a manifestação.

O jovem foi preso em 10 de janeiro, poucos dias depois do protesto. Sua mãe também foi detida e recebeu uma pena de cinco anos de prisão. A ONG Iran Human Rights (IHR) afirma que 34 pessoas foram executadas por envolvimento nos protestos em massa que ocorreram entre o fim de 2025 e o começo de 2026. Grupos de direitos humanos dizem que a repressão às manifestações deixou milhares de mortos.

O Abdorrahman Boroumand Center, organização de direitos humanos sediada nos Estados Unidos, apontou “graves falhas processuais” no julgamento de Sepahi. Entre elas, citou o que descreveu como desprezo por provas da defesa, incluindo gravações que, segundo a organização, mostrariam que ele não estava na região quando os policiais morreram.

A IHR informou que a execução de Sepahi havia sido prevista para 28 de julho, em praça pública, junto com a de outros dois homens. Um deles era seu primo, Abolfazl. Mai Sato, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos no Irã, afirmou que Sepahi sofreu um ataque cardíaco e foi levado a um hospital antes da execução prevista. “Ele recebeu alta alguns dias depois e retornou à prisão, onde viveu cada dia com medo da execução, até que ela finalmente ocorreu”, disse Sato.

Nas horas anteriores à morte, Sepahi e Kashani se casaram por telefone, com autorização dos pais dos dois. As autoridades penitenciárias não permitiram um encontro presencial. Roya Boroumand, cofundadora do centro que leva o sobrenome da família, disse que os advogados esperavam que o casamento adiasse a execução, mas as autoridades não consideraram a noiva integrante da família do preso para autorizar a cerimônia presencial.

Após a execução, o corpo não foi devolvido para sepultamento em Isfahã. Segundo Sato, foi levado para Kashan, cidade a cerca de 200 quilômetros de distância.

Para entender

Iran Human Rights
Organização não governamental que monitora e denuncia violações de direitos humanos no Irã. Seus informes incluem dados sobre execuções e sobre a repressão a manifestações no país.
Abdorrahman Boroumand Center
Organização de direitos humanos sediada nos Estados Unidos, dedicada a documentar violações no Irã. O centro reúne informações sobre processos, presos e execuções e atua em defesa dos direitos fundamentais.

Fontes: O Globo

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