Incêndio destrói parte do mercado histórico mais antigo de Paris
O fogo atingiu o Marché des Enfants Rouges na madrugada de 12 de outubro; ninguém ficou ferido, mas comerciantes agora enfrentam a reconstrução.
Resumo em 30 segundos
Um incêndio atingiu parte do Marché des Enfants Rouges, fundado em 1615 e tombado como monumento histórico em 1982. O mercado reunia 18 estabelecimentos, entre comércios e restaurantes de diferentes cozinhas. Sem vítimas, o fogo deixou comerciantes diante do desafio de recuperar os negócios e a rotina do espaço no bairro do Marais.
Um incêndio destruiu parte do Marché des Enfants Rouges, o mercado coberto mais antigo de Paris, na madrugada de domingo para segunda-feira, 12 de outubro. Não houve vítimas, mas o fogo atingiu um espaço histórico no bairro do Marais, conhecido tanto pela venda de alimentos frescos quanto por seus restaurantes e bancas de comida.
Fundado em 1615, o mercado foi tombado como monumento histórico em 1982. Ao longo do tempo, além de abastecer moradores com frutas, verduras e carnes, tornou-se um ponto de encontro gastronômico, com cozinhas de diferentes tradições instaladas entre os corredores. Nos anos 2000, consolidou-se como destino de moradores e visitantes no Alto Marais.
A prefeitura contabilizava 18 estabelecimentos no mercado, entre operações de alimentação e outros comércios. Entre eles estavam o Chez Taeko, conhecido pelos bentôs japoneses, o restaurante caribenho Corossol e o The Butcher of Paris. O espaço também reunia uma hamburgueria, casas de comida marroquina, italiana e libanesa, além de uma creperia e um negócio especializado em frango assado.
Um dos pontos mais procurados era o Les Enfants du Marché, aberto em 2017 por Michael Grosman e amigos. O restaurante servia pratos criativos e vinhos, muitos deles naturais, em um balcão com cozinha aberta e sem reservas. Após o incêndio, Grosman afirmou nas redes sociais que já buscava um endereço temporário em Paris para instalar uma cozinha e reunir novamente a equipe. Ele pediu sugestões e contatos para encontrar um local.
A perda afeta também um mercado cuja função mudou sem abandonar por completo a origem ligada ao comércio de alimentos. A comparação possível é com Covent Garden, em Londres, cuja primeira referência escrita data de 1654. O antigo mercado londrino tornou-se um polo de compras, cultura e gastronomia; em Paris, a venda de produtos frescos continuava lado a lado com restaurantes onde os clientes podiam comer no local.
A recuperação do Marché des Enfants Rouges envolve mais do que reparar as paredes e as coberturas danificadas. A retomada depende também da volta dos comerciantes e das atividades que davam vida ao espaço, frequentado especialmente nos fins de semana. A trajetória de quatro séculos do mercado agora se cruza com o desafio de reconstruir seus negócios e sua rotina.