Guojun Xuan e Silvia Zhang são acusados de abusar de 15 crianças
O casal, que se declarou inocente, também responde por conspiração e coação de testemunha; as acusações envolvem crianças que viviam na casa na Califórnia.
Resumo em 30 segundos
Guojun Xuan e Silvia Zhang foram presos na Califórnia e acusados de submeter 15 das 16 crianças que viviam na casa do casal a agressões repetidas. A denúncia também inclui conspiração e coação de testemunha. Os dois se declararam inocentes. A investigação começou após um bebê de dois meses ser levado ao hospital com uma lesão na cabeça.
Guojun Xuan, de 66 anos, e Silvia Zhang, de 39, foram presos na terça-feira, 6 de outubro, sob acusações de abuso físico contra crianças em uma mansão em Arcadia, na Califórnia. Segundo a promotoria de Los Angeles, o casal teria submetido 15 de 16 crianças que viviam na casa a agressões repetidas; os menores haviam nascido, em parte, por meio de gestação por substituição.
Os dois se declararam inocentes à Justiça de Pasadena. O promotor distrital de Los Angeles, Nathan J. Hochman, afirmou que a quantidade de crianças supostamente submetidas aos abusos não tinha precedentes. A denúncia também inclui acusação de conspiração e coação de testemunha.
A investigação começou em maio de 2025, quando Zhang levou ao hospital um bebê de dois meses com uma lesão na cabeça. Ela disse à equipe médica que a criança havia caído da cama, e o hospital comunicou o caso às autoridades. De acordo com a acusação, uma babá teria agredido o bebê dois dias antes de ele ser atendido.
Na casa, a polícia encontrou três quartos chamados de “centros de aprendizagem”, acompanhados por babás, e 32 câmeras com sensores de movimento. A promotoria afirma que os equipamentos eram usados para monitorar a disciplina aplicada às crianças. Imagens supostamente mostram cuidadoras dando palmadas, tapas ou golpes nos menores.
Uma das babás, Chunmei Li, de 58 anos, foi acusada de agredir o bebê. Ela também já havia sido acusada de um delito de abuso infantil em circunstâncias que poderiam provocar lesões graves ou a morte da criança. Hochman disse que Li estava foragida e tinha uma ordem de prisão. O advogado do casal afirmou que ela foi demitida assim que o caso veio à tona.
Em julho de 2025, autoridades fizeram uma busca na mansão e retiraram 21 crianças da custódia do casal. Quinze estavam na residência; as outras seis viviam em outros locais e foram levadas sob custódia posteriormente. Na ocasião, a polícia informou que elas tinham de dois meses a 13 anos, embora a maioria tivesse entre um e três anos. Uma planilha mantida por Zhang em maio daquele ano registrava 21 crianças, incluindo as nascidas por gestação por substituição.
Xuan e Zhang administravam uma empresa própria de gestação por substituição e são acusados de enganar ao menos duas mulheres que atuaram como mães substitutas. Segundo a denúncia, o casal dizia que Zhang teria dificuldades para engravidar. Investigadores suspeitam que mulheres de diferentes partes dos Estados Unidos não sabiam que gestavam, ao mesmo tempo, embriões destinados ao casal.
O advogado Mitchell Krems chamou a acusação de “descaracterização” e afirmou que Xuan é alvo de ataques por exercer o direito constitucional de formar uma família numerosa. Melissa Brisman, advogada de duas mães substitutas, disse que é positivo que haja responsabilização quando o sistema de gestação por substituição é usado de forma abusiva.
Se forem condenados, Xuan poderá receber pena de até 17 anos e quatro meses de prisão estadual, e Zhang, de até 11 anos e oito meses. Li pode enfrentar até 12 anos de prisão.