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Segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Guerra no Irã pressiona custos da banana vendida nos Estados Unidos

Combustíveis, fertilizantes e embalagens ficaram mais caros, mas contratos e a concorrência entre supermercados dificultam repasses imediatos ao consumidor.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Caixas de bananas descarregadas de um navio cargueiro em um porto, com contêineres e caminhões ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Caixas de bananas descarregadas de um navio cargueiro em um porto, com contêineres e caminhões ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A alta dos custos ligada à guerra no Irã pressiona produtores e empresas que abastecem os Estados Unidos com bananas. O diesel usado em caminhões refrigerados subiu cerca de 70% desde o início do conflito. Doenças, clima e margens estreitas agravam os desafios, enquanto contratos e a concorrência limitam aumentos imediatos nas prateleiras.

A guerra no Irã encareceu combustíveis, fertilizantes e materiais usados no cultivo e no transporte de bananas, pressionando produtores e empresas que abastecem os Estados Unidos. O setor teme que o aumento dos custos reduza a produção e, mais adiante, leve a preços maiores para os consumidores, embora contratos e a disputa entre supermercados dificultem repasses imediatos.

A banana é a fruta mais consumida pelos americanos, que comem em média cerca de 80 unidades por ano. Em agosto, o preço médio nos Estados Unidos estava em torno de 65 centavos de dólar por libra, patamar que mudou pouco na última década, apesar da alta dos custos. Nas lojas, a fruta também costuma ser vendida por cerca de 15 centavos de dólar a unidade.

A Del Monte, uma das grandes empresas do setor, afirmou que a pressão é intensa. “Tudo está custando mais”, disse Danny Dumas, vice-presidente sênior da Del Monte North America. “Se quer saber a minha opinião, é uma crise.” Mohammed Abbas, presidente da companhia, resumiu a dependência da cadeia de abastecimento: “Em toda a cadeia de abastecimento, tudo depende de energia”.

O custo do diesel usado nos caminhões refrigerados da Del Monte subiu cerca de 70% nos Estados Unidos desde o início da guerra, sete meses atrás, e chegou a superar US$ 6 por galão. Também ficaram mais caros o óleo combustível dos navios e o combustível que abastece sistemas de irrigação na América Central e na América do Sul. Fertilizantes, embalagens de papelão e plástico e produtos químicos aplicados contra doenças completam a lista de insumos pressionados.

A logística ajuda a explicar por que a alta afeta tanto a fruta. Bananas são colhidas nos trópicos, transportadas por longas distâncias e mantidas refrigeradas para chegarem em condições de venda. No percurso de um carregamento da empresa, frutas cultivadas em Tiquisate, na Guatemala, viajaram mais de 400 quilômetros em caminhões refrigerados até o porto de Santo Tomás de Castilla. De lá, seguiram de navio para Gloucester City, em Nova Jersey.

A viagem marítima é apenas uma etapa. Depois de descarregadas, as bananas podem ser enviadas diretamente a varejistas ou passar por instalações de amadurecimento. Nesses espaços, a temperatura é elevada gradualmente e o gás etileno é usado para estimular o amadurecimento, até que a fruta fique amarela para a venda.

O Del Monte Spirit, um dos sete navios da frota da empresa, transportou cerca de 7% das bananas que entrariam nos Estados Unidos em uma semana. O navio levou frutas da Guatemala e da Costa Rica a Gloucester City, onde a Del Monte descarrega até 300 mil caixas por semana. A companhia e outras grandes produtoras — Chiquita, Dole e Fyffes — continuam abastecendo o mercado americano, apesar das margens estreitas.

A alta dos custos se soma a problemas que já ameaçam a oferta. Produtores enfrentam doenças, mudanças climáticas, tarifas e um El Niño descrito como excepcionalmente severo neste ano. A banana mais comum nos Estados Unidos é a Cavendish, variedade que domina o mercado, mas é vulnerável a uma variante da doença do Panamá. O fungo pode permanecer no solo por décadas e destruir plantações inteiras.

A história da Cavendish mostra o risco de depender de uma variedade dominante. Até a década de 1950, consumidores americanos comiam sobretudo a Gros Michel, que foi dizimada por outra forma da doença do Panamá até a década de 1960. A Cavendish substituiu a variedade anterior, e praticamente todas as bananas consumidas hoje nos Estados Unidos descendem de uma única planta cultivada inicialmente por um jardineiro inglês no século XIX. Empresas pesquisam alternativas genéticas, mas esse trabalho exige investimento, justamente quando os custos pressionam o setor.

No norte do Peru, o pequeno produtor Miguel Angel Morales disse que a doença destruiu plantações em um em cada três vales produtores de sua região. Há cinco anos, os agricultores locais produziam 12 contêineres; agora, conseguem encher apenas um. Morales afirmou que seus custos aumentaram de 25% a 30% neste ano e que contratos anuais ainda o impediam de elevar os preços.

A capacidade de repassar as despesas ao consumidor é incerta. Supermercados mantêm a banana barata para atrair clientes, e a concorrência entre empresas que vendem uma fruta semelhante limita o poder de negociação dos produtores. No segundo trimestre, a margem da Del Monte com bananas foi de 2,3%. Tom Stenzel, diretor-geral da Banana Association of North America, disse que a capacidade do setor de absorver custos está “no limite”.

A ameaça à produção pode se intensificar se os agricultores reduzirem o uso de fertilizantes e produtos contra doenças para economizar, como temem as empresas. Alguns produtores da América Central já estão substituindo bananas por abacaxis. Os preços pagos por muitos produtores são definidos em contratos de longo prazo, alguns com vencimento em dezembro; depois disso, ainda dependerá dos supermercados decidir quanto da alta será repassada aos consumidores.

Para entender

Doença do Panamá
Doença causada por um fungo que ataca bananeiras e pode permanecer no solo por décadas, inviabilizando plantações. Uma variante ameaça a Cavendish, variedade predominante no mercado americano. A doença também dizimou a Gros Michel, que era a principal banana consumida nos Estados Unidos antes da expansão da Cavendish.
Cavendish
Variedade de banana que domina o mercado dos Estados Unidos. Sua ampla adoção ocorreu depois que a doença do Panamá devastou plantações de Gros Michel. Como as plantas cultivadas são muito semelhantes geneticamente, uma doença capaz de atacá-las pode representar um risco para a oferta.

Fontes: Folha de S.Paulo

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