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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Grupo Jee Invest Brasil conclui centro de serviços em cinco meses

Em Uberaba, prédio de 712 m² reúne sedes de mais de 20 empresas e foi feito com construção industrializada, método que pode reduzir prazos, mas não necessariamente custos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Centro de serviços contemporâneo com estrutura metálica e painéis de vedação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Centro de serviços contemporâneo com estrutura metálica e painéis de vedação.
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O Grupo Jee Invest Brasil construiu em Uberaba (MG) um centro de serviços de 712 m² em menos de cinco meses, usando estrutura metálica e painéis de vedação. O texto apresenta vantagens e desafios da construção industrializada, além de dados da FGV Ibre sobre a adoção desses sistemas no Brasil.

O Grupo Jee Invest Brasil construiu em Uberaba (MG), em menos de cinco meses, um centro de serviços de 712 m² usando construção industrializada, com estrutura metálica e painéis de vedação. O prédio reúne sedes de mais de 20 empresas da holding e, pelo método convencional, a obra levaria pelo menos oito meses, segundo os responsáveis pelo projeto.

A opção foi feita para permitir ambientes abertos e adaptáveis, além de acelerar a entrega. João Luis de Souza, CEO do grupo, afirmou que o método também gera menos resíduos e consome menos água e energia, características que, segundo ele, estão alinhadas à proposta de sustentabilidade da empresa.

A construção industrializada transfere parte da fabricação de componentes para fábricas. Estruturas, paredes ou instalações podem chegar prontas ou pré-montadas ao canteiro, onde são montadas. O modelo inclui diferentes sistemas, como estruturas de aço, concreto pré-fabricado, steel frame, drywall e kits hidráulicos preparados previamente. A combinação varia conforme o projeto.

Para o setor corporativo e o varejo, o prazo menor pode antecipar o início das atividades e o retorno do investimento. Guto Oliveira, CEO e fundador da Goah Arquitetura, responsável pelo projeto em Uberaba, disse que a rapidez é um diferencial porque reduz o período até o payback, ou seja, até a recuperação do valor investido. O escritório adota sistemas industrializados em 60% de suas construções e tem projetos em 18 Estados.

A velocidade, porém, não significa necessariamente custo menor por metro quadrado. Oliveira comparou a construção tradicional de concreto, cujo valor varia de R$ 500 a R$ 700 por m², com a construção metálica, mas a informação sobre o preço desta última não foi especificada. A adoção de estruturas de aço também permite maior precisão nas dimensões dos ambientes e vãos mais amplos, de acordo com Felipe Dal Corsi, diretor executivo da Fatto Construtora.

A empresa, que trabalha sobretudo com obras rápidas para o varejo, usa estruturas de aço em 40% de seus projetos. Dal Corsi avaliou que a demanda crescente pode contribuir para reduzir os custos e apontou a resistência cultural aos métodos convencionais como um obstáculo à expansão. Para ele, o uso de elementos de aço traz mais benefícios do que desafios e a tendência é que avance.

Dados do Índice Geral de Industrialização da Construção (Igic), divulgado em junho pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), mostram que 48,2% das empresas consultadas utilizavam sistemas industrializados em alguma medida nas obras ativas. Desse total, 33,6% declararam usar esses sistemas em todas as obras, enquanto 14,6% os adotavam parcialmente. O índice que considera tanto a adoção quanto a intensidade estimou, porém, que apenas 15,7% das obras podiam ser classificadas como industrializadas.

Entre os sistemas construtivos usados em 2026, as estruturas de aço apareciam em segundo lugar, com 44%, atrás do concreto pré-fabricado, com 56%, e à frente do drywall, com 41%. Ana Castelo, coordenadora de projetos de construção da FGV Ibre, relacionou a industrialização a desafios como produtividade, qualificação e disponibilidade de trabalhadores e capacidade de ampliar a construção de moradias e infraestrutura.

Castelo também disse que a reforma tributária pode estimular o setor ao alterar a diferença tributária entre produzir no canteiro e fabricar componentes em uma indústria. Hoje, observou, a produção no canteiro paga Imposto sobre Serviços (ISS), enquanto a fabricação em fábrica e o transporte para a obra pagam Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que ela descreveu como mais caro. A unificação dos tributos tende, na avaliação dela, a mudar essa dinâmica.

A falta de profissionais capacitados é outro entrave, segundo Pedro Lyra, coordenador de engenharia civil do Instituto Mauá de Tecnologia. Ele afirmou que o sistema exige conhecimentos específicos para projetar, calcular, fabricar e montar os componentes. Uma projeção da consultoria Mordor Intelligence estima que o mercado brasileiro de edifícios pré-fabricados possa movimentar US$ 4,26 bilhões até 2029 e alcançar US$ 5,02 bilhões até 2031, impulsionado por habitação, indústria, logística e demanda por obras rápidas.

Para entender

Construção industrializada
Método que transfere parte da fabricação de componentes da obra para uma indústria. Estruturas, paredes e instalações podem chegar prontas ou pré-montadas ao canteiro para serem montadas, reduzindo etapas feitas no local. Há diferentes sistemas, como aço, concreto pré-fabricado e steel frame.
FGV Ibre
O Instituto Brasileiro de Economia é uma unidade da Fundação Getulio Vargas dedicada a estudos e indicadores econômicos. Entre suas áreas de pesquisa está a construção civil, com levantamentos sobre atividade, custos e características do setor.

Fontes: Valor Econômico

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