Família de William Chapman critica vídeos de Trump sobre ataque
O ator britânico de 23 anos morreu após entrar no recinto de um tigre no Yorkshire Wildlife Park; a investigação oficial está prevista para quinta-feira.
Resumo em 30 segundos
William Chapman, ator britânico de 23 anos, morreu após entrar no recinto de um tigre no Yorkshire Wildlife Park, em Doncaster. Donald Trump publicou imagens do ataque e um vídeo feito com inteligência artificial sobre o caso. A família criticou a circulação dos conteúdos e pediu respeito enquanto as autoridades investigam a morte.
A família de William Chapman, ator britânico de 23 anos que morreu após ser atacado por um tigre no Yorkshire Wildlife Park, criticou a divulgação de vídeos sobre o caso. O jovem entrou no recinto do animal no sábado (10), em Doncaster, na Inglaterra, e morreu depois do ataque.
Na terça-feira (13), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na rede Truth Social um trecho que mostra o tigre mordendo e arranhando Chapman. A gravação não exibe o momento da morte. Ao compartilhá-la, Trump escreveu: “Não mexa com a natureza!”.
Mais tarde, Trump divulgou outro vídeo, feito com inteligência artificial, em que aparece correndo em direção ao felino para brincar e lutar com ele. A montagem reproduz um gesto de Chapman e termina com o presidente abraçando o animal. O conteúdo usa a música “The Lion Sleeps Tonight”, do grupo The Tokens.
Em comunicado, os familiares disseram que a circulação dessas imagens está causando sofrimento durante um período de extrema vulnerabilidade e pediram que as pessoas parem de compartilhá-las. A família afirmou estar devastada e solicitou respeito enquanto as autoridades investigam por que Chapman entrou na área reservada ao tigre.
Os parentes informaram que o jovem enfrentava uma doença mental significativa havia vários anos e tomava medicamentos fortes. Ressaltaram, porém, que cabe ao legista avaliar se a condição ou os remédios tiveram influência na morte. Também o descreveram como uma pessoa “brilhante, calorosa e cativante”, muito amada pela família.
O animal, chamado Altai, é um tigre-de-amur, também conhecido como tigre-siberiano. O Yorkshire Wildlife Park informou que não pretende sacrificá-lo. O parque foi fechado após o episódio, e o Conselho Municipal de Doncaster, responsável pelo licenciamento do local, abriu uma investigação de saúde e segurança.
Uma investigação oficial sobre a morte está prevista para esta quinta-feira no Tribunal do Legista de Doncaster. O procedimento deve examinar as circunstâncias que levaram Chapman a entrar no recinto e a sequência dos acontecimentos. O legista conduz a apuração das mortes e pode reunir informações para esclarecer como e por que elas ocorreram.
Will Travers, presidente-executivo da Born Free Foundation, organização britânica de proteção à vida selvagem, criticou o vídeo produzido com inteligência artificial. Ele afirmou que imagens desse tipo podem incentivar tentativas de aproximação direta com animais selvagens em cativeiro, o que classificou como uma conduta irrealista e de alto risco.
Questionado sobre as publicações, um porta-voz do primeiro-ministro britânico disse que o governo respeita a posição expressa pela família, sem comentar diretamente Trump. A Jackie Palmer Stage School, em High Wycombe, onde Chapman estudou, também publicou uma homenagem e afirmou estar profundamente triste com a morte.
Chapman trabalhou como ator quando criança. Entre seus créditos estão a comédia dramática “May Contain Nuts”, exibida pela ITV em 2009, e a série “True Stories”, da BBC. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do caso; até lá, a família pediu que o processo seja respeitado e que conteúdos sobre o ataque não continuem circulando.