CSN fecha acordo para vender siderúrgica alemã por € 550 milhões
A Stahlwerk Thüringen, em Unterwellenborn, será negociada com a espanhola Bipadosa; o acordo prevê exclusividade por até dez semanas e inclui dívidas.
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A CSN anunciou acordo para vender a siderúrgica Stahlwerk Thüringen, na Alemanha, à espanhola Bipadosa por € 550 milhões em valor empresarial, que inclui dívidas. A negociação ainda depende de ajustes e etapas previstas no processo. A companhia afirma que a operação integra o plano para reduzir seu endividamento.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou nesta sexta-feira, 9, um acordo para vender a Stahlwerk Thüringen GmbH (SWT), sua siderúrgica na Alemanha, à espanhola Bipadosa S.L. A operação, avaliada em € 550 milhões — cerca de R$ 3,1 bilhões —, faz parte do plano da companhia de reduzir o endividamento, mas ainda depende de ajustes e das etapas previstas na negociação.
O valor anunciado corresponde ao valor da empresa, que inclui dívidas, e não necessariamente ao montante líquido que a CSN receberá. O acordo estabelece exclusividade por até dez semanas para a Bipadosa, controladora do grupo industrial Megasa, que atua na produção de aços longos na Espanha, em Portugal e na França.
A SWT fica em Unterwellenborn, no estado alemão da Turíngia, e produz perfis estruturais de aço. A capacidade instalada é de 1,1 milhão de toneladas anuais. A unidade pertence à CSN Steel, subsidiária que reúne as operações europeias de aços longos, e foi comprada pelo grupo brasileiro em 2012.
A CSN afirmou, em comunicado ao mercado, que a possível venda das ações da siderúrgica integra seu programa de desinvestimentos para diminuir a dívida. A transação representa o primeiro movimento efetivo de venda de ativos anunciado desde que a companhia comunicou, em janeiro, que recorreria a esse tipo de operação para enfrentar a pressão financeira.
A dívida líquida da CSN é de R$ 42 bilhões, e a relação entre dívida líquida e Ebitda está próxima de 3,5 vezes. Ebitda é a sigla em inglês para o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador usado para avaliar a geração operacional de caixa de uma empresa em relação às obrigações financeiras.
No plano apresentado no início do ano, a empresa indicou que poderia vender até 100% da CSN Cimentos e até 30% da CSN Infraestrutura, que reúne ativos de ferrovias, portos e logística. A expectativa era obter entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões com essas operações para reduzir o endividamento. A venda da SWT não havia sido mencionada naquele anúncio.
A negociação da CSN Cimentos, que ocupa a vice-liderança do mercado brasileiro, ainda estava em andamento. As propostas vinculantes vieram do grupo chinês Huaxin e de um consórcio da Votorantim Cimentos com a italiana Cementir. A Cementir informou em agosto que sua proposta havia vencido sem ser aceita, mas, segundo relatos de pessoas envolvidas nas conversas, as duas ofertas continuavam na disputa pelo ativo.
Essa venda é considerada urgente pela companhia porque a cimenteira está ligada a compromissos financeiros da CSN. Entre eles está um empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão, equivalente a cerca de R$ 6 bilhões, concedido por um grupo de bancos nacionais e estrangeiros. A CSN e a CSN Cimentos Brasil são garantidoras da operação.
A siderúrgica alemã é mais um negócio fora do Brasil que a CSN coloca à venda em meio à pressão sobre suas contas. Em 2018, o grupo se desfez da CSN LLC, unidade localizada em Indiana, nos Estados Unidos, por US$ 400 milhões; a compradora foi a Steel Dynamics.
A negociação da SWT ocorre após a chegada de Fabio Schvartsman, ex-presidente-executivo da Vale e da Klabin, ao comando executivo do grupo, no início do mês passado. Benjamin Steinbruch deixou a função executiva e permaneceu na presidência do Conselho de Administração. Segundo o comunicado da CSN, a venda alemã se insere no esforço para conter o avanço da alavancagem enquanto outras alienações seguem em negociação.
Para entender
- Ebitda
- Sigla em inglês para o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização. É um indicador usado para acompanhar o desempenho operacional de uma empresa e compará-lo com suas obrigações financeiras.