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Terça-feira, 13 de outubro de 2026

Câncer colorretal cresce entre jovens em vários países, mostram estudos

Pesquisas apontam aumento de diagnósticos antes dos 50 anos, mas não esclarecem quanto se deve a mais casos e quanto à detecção precoce.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Jovem conversa com médica em consultório, com um modelo anatômico do sistema digestivo ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Jovem conversa com médica em consultório, com um modelo anatômico do sistema digestivo ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Estudos em diferentes países registraram aumento de diagnósticos de câncer colorretal entre pessoas com menos de 50 anos. A tendência também aparece em outros tipos de câncer, mas as causas não estão definidas e parte do crescimento pode refletir maior detecção. Especialistas citam fatores de risco conhecidos e recomendam avaliação médica diante de sintomas persistentes.

Estudos internacionais apontam aumento de diagnósticos de alguns tipos de câncer entre pessoas com menos de 50 anos, com destaque para o câncer colorretal, também chamado de câncer de intestino. O avanço foi observado em registros de diferentes países, mas ainda há dúvidas sobre quanto se deve ao crescimento real da doença e quanto decorre da identificação mais precoce de tumores.

Uma análise do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer, rede internacional de organizações beneficentes, identificou aumento de novos casos de sete tipos de câncer na Inglaterra. Entre pessoas com menos de 50 anos, a taxa de diagnósticos de câncer colorretal passou de cerca de um caso para cada 26 mil pessoas, em 2001, para um a cada 12 mil, em 2023.

A tendência também apareceu em um estudo publicado em 2025, que examinou registros de 50 países e territórios até 2017. O câncer colorretal de início precoce aumentou em 27 dessas regiões. Na América Latina, houve elevação das taxas no Chile, na Argentina, no Equador, na Costa Rica e em Porto Rico; no Chile, o crescimento anual se aproximou de 4%.

Outra pesquisa, publicada em 2025 e baseada em dados de 42 países, comparou pessoas de 20 a 49 anos com aquelas de 50 anos ou mais, entre 2003 e 2017. Seis tipos — tireoide, mama, colorretal, rim, útero e leucemia — aumentaram entre os mais jovens na maioria dos países estudados. O câncer colorretal se destacou porque, em cerca de um terço dos países, cresceu mais rapidamente entre adultos jovens do que entre os mais velhos.

A professora de epidemiologia clínica Amy Berrington de Gonzalez, do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, afirmou que esse tipo de tumor é o único que parece aumentar entre jovens enquanto diminui entre pessoas mais velhas. Ela também ressaltou que o câncer continua relativamente raro nessa faixa etária: mesmo quando uma taxa cresce várias vezes, o total de casos pode permanecer baixo.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Entre os tipos destacados estão o câncer colorretal e o de colo do útero, ambos com possibilidades de prevenção e detecção precoce. A estimativa nacional se refere ao conjunto dos casos e não indica, por si só, quantos atingem pessoas com menos de 50 anos.

As causas do aumento ainda não estão definidas. Marc Gunter, professor de epidemiologia do câncer no Imperial College London, apontou como hipóteses mudanças na alimentação e no estilo de vida, incluindo maior consumo de produtos ultraprocessados e sedentarismo. Pesquisadores alertam, porém, que não há evidências conclusivas para afirmar que alimentos ultraprocessados ou microplásticos causem câncer.

A obesidade é um fator de risco comprovado para pelo menos 13 tipos de câncer, segundo a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde. Uma revisão de estudos publicada em 2021 encontrou que jovens adultos com obesidade tinham quase o dobro de probabilidade de desenvolver câncer colorretal antes dos 50 anos. Carnes processadas também são classificadas como cancerígenas, enquanto uma alimentação rica em fibras — presentes em vegetais, grãos integrais e leguminosas — reduz o risco.

O álcool é outro fator de risco citado. Especialistas recomendam manter um peso saudável, praticar atividade física, aumentar o consumo de frutas, verduras e outros alimentos ricos em fibras e reduzir carnes processadas. Gunter ponderou que escolhas individuais são influenciadas pela organização da vida cotidiana e defendeu a importância de políticas públicas para promover mudanças duradouras.

O crescimento dos diagnósticos não significa necessariamente que a incidência real tenha aumentado na mesma proporção. Uma pesquisa sobre câncer de pâncreas em pessoas de 15 a 39 anos nos Estados Unidos, por exemplo, encontrou avanço concentrado em tumores identificados em estágio inicial, enquanto as mortes permaneceram estáveis. Esse padrão pode refletir maior conscientização e realização de exames.

No caso do câncer colorretal, alguns estudos americanos também encontraram crescimento de diagnósticos em estágios avançados, o que pode indicar aumento real de casos, e não apenas detecção antecipada. Ainda assim, a comparação entre países e faixas etárias exige cautela: se uma doença cresce em diferentes idades, as causas podem ser amplas, e pesquisas restritas a jovens podem não reunir dados suficientes para explicar a tendência.

Sangue nas fezes, mudanças persistentes no hábito intestinal, dor abdominal ou perda de peso sem explicação podem exigir avaliação médica, embora esses sinais também tenham outras causas. Pessoas com sintomas devem procurar orientação profissional, sem esperar atingir uma idade específica; exames de rastreamento, por sua vez, seguem recomendações clínicas e dependem do histórico individual. Os estudos citados não estabelecem uma nova idade universal para iniciar a investigação.

Para entender

Câncer colorretal
É o câncer que se desenvolve no cólon ou no reto, partes do intestino grosso. Também é chamado de câncer de intestino. Alterações persistentes no hábito intestinal e sangue nas fezes podem ter várias causas e devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer
Rede internacional de organizações beneficentes que apoia e divulga pesquisas sobre a relação entre alimentação, atividade física, peso corporal e prevenção do câncer.
Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer
Agência especializada da Organização Mundial da Saúde que avalia evidências científicas sobre causas de câncer e classifica agentes conforme o grau de evidência de que podem causar a doença.

Fontes: Folha de S.Paulo, Zero Hora

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