Bruno Scheid é eleito senador por Rondônia em estreia nas urnas
Aliado de Jair Bolsonaro recebeu 474.226 votos e ficou com a segunda vaga do estado; ele diz que pretende priorizar o agronegócio e as empresas.
Resumo em 30 segundos
Bruno Scheid, do PL, foi eleito senador por Rondônia com 474.226 votos, em sua primeira disputa eleitoral. Ele ficou com a segunda vaga do estado, atrás do correligionário Fernando Máximo. Pecuarista e aliado de Jair Bolsonaro, Scheid afirmou que pretende priorizar o agronegócio e as empresas no mandato.
Bruno Scheid (PL) foi eleito senador por Rondônia na votação de 4 de outubro, em sua primeira disputa eleitoral. Ele recebeu 474.226 votos, ou 26,95% dos válidos, e ficou com a segunda das duas vagas do estado, atrás do correligionário Fernando Máximo. Pecuarista e aliado próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Scheid afirmou que pretende priorizar o agronegócio e as empresas no mandato.
A relação com Bolsonaro teve destaque na campanha. Scheid tentou incluir “Bolsonaro” no nome exibido na urna, mas a Justiça Eleitoral vetou a identificação por entender que o sobrenome não integra seu nome civil e poderia sugerir parentesco com o ex-presidente. O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia autorizou a candidatura em 8 de setembro, com o nome Bruno Scheid, e o ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral, manteve a decisão.
Embora não pudesse usar o sobrenome como identificação pessoal na propaganda, a campanha divulgou o slogan “o senador do Bolsonaro”. Scheid criticou as decisões e classificou a restrição como censura. A ligação com o ex-presidente também foi evidenciada pela participação do pecuarista em viagens e pela presença dele entre os visitantes autorizados a encontrar Bolsonaro na Papudinha, em Brasília.
Scheid nasceu em Paragominas, no Pará, em 13 de abril de 1983, e mudou-se ainda criança para Rondônia. Cresceu em Porto Velho, trabalhou com lavoura de arroz e manejo de gado e depois se estabeleceu em Ji-Paraná, onde atua na pecuária. No registro de candidatura, declarou a profissão de administrador e patrimônio de R$ 1.125.641,24.
Sua aproximação com a política nacional começou por meio do G-Agro, rede de grupos de WhatsApp criada para reunir produtores e discutir agronegócio e política. Em 2021, os grupos mobilizaram doações para o Pátria Voluntária, programa ligado à então primeira-dama Michelle Bolsonaro. Depois disso, Scheid estreitou os laços com Jair Bolsonaro e passou a circular também com o senador Flávio Bolsonaro.
Em 2022, Scheid foi apontado como um dos articuladores de pedidos de doações no setor agropecuário para a campanha de reeleição de Bolsonaro. Naquele período, chegou a ser apresentado como pré-candidato a deputado federal, mas não concorreu. Ele permaneceu na estrutura partidária e ocupa a vice-presidência do PL em Rondônia.
A proximidade com Bolsonaro continuou após a eleição de 2022. Em 2025, quando o ex-presidente cumpria prisão domiciliar, sua defesa pediu autorização para que Scheid o visitasse regularmente. Os advogados alegaram que o amigo poderia ajudar nos cuidados com a saúde de Bolsonaro quando Michelle estivesse fora e manter contato com o PL. Mais tarde, Scheid foi incluído entre os visitantes autorizados a ir à Papudinha.
O PL lançou a candidatura de Scheid ao Senado em 14 de março, em um evento em Ji-Paraná com Flávio Bolsonaro. A chapa integrou a coligação Juntos por Rondônia, formada por PL, Podemos, DC, Novo e Mobiliza. Os suplentes são Guilherme Teodoro e Dilceu Fernandes, ambos do PL.
A campanha não recebeu recursos do fundo eleitoral nem do fundo partidário e foi financiada por pessoas físicas. Nas prestações parciais apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral, Scheid declarou ter arrecadado R$ 2,86 milhões; quatro doadores responderam por 95,5% do montante. Na campanha, ele defendeu os produtores rurais como parte de uma agenda de geração de empregos, produção de alimentos e segurança jurídica para investimentos.